Olá. O meu nome é Sandra Galão e sou uma das formandas do curso de técnica de acção educativa (TAE).
A ideia deste artigo surgiu com o objectivo de partilhar consigo, informações que nós formandas temos vindo a adquirir ao longo do curso e que, de alguma forma, nos têm vindo a sensibilizar para a educação dos mais pequenos! Tenho um interesse muito especial pelas crianças e por saber que poderia fazer algo por elas, comecei a fazer voluntariado há cinco meses com crianças de risco de exclusão social, tem sido um desafio imenso, complicado mas muito gratificante, pois tento partilhar com eles o que sei e, em compensação, tenho aprendido a ser mais paciente, tolerante e posso dizer com toda a certeza, eles não são delinquentes… São crianças carentes.
O Alex tem 8 anos, está no centro onde faço voluntariado e foi ele que me ajudou a escrever o texto mais abaixo. Foi uma forma que encontrei de fazê-lo interiorizar e entender quais os direitos e deveres que deve cumprir para se tornar um cidadão do mundo.
Concordo plenamente com o filósofo grego Sócrates quando dizia:
“Educai as crianças para que mais tarde não tenhamos que punir os adultos”
“ Não penses mal dos que procedem mal, pensa somente que estão equivocados”
O texto que se segue foi extraído do livro Limites sem trauma, de Tânia Zagury e apresentado pela nossa formadora Ana Ferreira no módulo “Para uma intervenção educativa de qualidade! Como?”
AS CRIANÇAS PRECISAM DE LIMITES QUE AS PROTEJAM
“DAR LIMITES É…
- Ensinar que os direitos são iguais para todos.
- Ensinar que existem OUTRAS pessoas no mundo.
- Fazer a criança compreender que os seus direitos acabam onde começam os direitos dos outros.
- Dizer “sim” sempre que possível e “não” sempre que necessário.
- Só dizer “não” às crianças quando houver uma razão concreta.
- Mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não.
- Fazer a criança ver o mundo com uma conotação social (conviver) e não apenas psicológica (o meu desejo e o meu prazer são as únicas coisas que contam).
- Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade (a criança que hoje aprendeu a esperar a sua vez de ser servida à mesa, amanhã não considerará um insulto pessoal esperar a vez na fila do cinema ou aguardar três ou quatro dias até que o chefe dê um parecer sobre a sua promoção).
- Desenvolver a capacidade de adiar satisfação (se não conseguir emprego hoje, continuará a lutar sem desistir ou, caso não tenha desenvolvido esta habilidade, agirá de forma insensata ou desequilibrada, partindo, por exemplo, para a marginalidade, o alcoolismo ou a depressão).
- Evitar que a criança cresça a pensar que todos no mundo têm de satisfazer os seus mínimos desejos e, se tal não ocorrer (o que é mais provável), não conseguir lidar bem com a menor contrariedade, tornando-se, aí sim, frustrada, amarga ou pior, desequilibrada emocionalmente.
- Saber discernir entre o que é uma necessidade das crianças e o que é apenas desejo.
- Compreender que direito à privacidade não significa falta de cuidado, descanso, falta de acompanhamento e supervisão às actividades e atitudes das crianças, dentro e fora de casa.
- Ensinar que a cada direito corresponde um dever e, principalmente: DAR O EXEMPLO!
- Quem quer ter filhos que respeitem a lei e os homens tem de viver o seu dia-a-dia dentro desses mesmos princípios, ainda que a sociedade tenha tão poucos indivíduos que agem dessa forma.
DAR LIMITES NÃO É…
- Bater nos filhos para que eles se comportem.
- Quando se fala em limites, muitas pessoas pensam que significa aprovação para dar palmadas, bater ou até espancar.
- Fazer só o que o adulto, pai ou mãe, querem ou estão com vontade de fazer.
- Ser autoritário, dar ordens sem explicar porquê, agir de acordo apenas com o seu próprio interesse, da forma que lhe convém, mesmo que a cada dia a sua vontade seja inteiramente oposta à do outro dia, por exemplo.
- Deixar de explicar o porquê das coisas, apenas impondo a “lei do mais forte”.
- Gritar com as crianças para ser atendido.
- Deixar de atender às necessidades reais (fome, sede, segurança, afecto, interesse) dos filhos, porque hoje está cansado.
- Invadir a privacidade a que todo o ser humano tem direito.
- Provocar traumas emocionais, humilhações e desrespeito à criança.
- Todas as crianças têm capacidade de compreender um “não” sem ficar com problemas, desde que, evidentemente, este “não” tenha razão de ser e não seja acompanhado de agressões físicas ou morais.
- O que provoca traumas e problemas emocionais é, em primeiro lugar, a falta de amor e carinho, seguido de injustiça
- Bater nos filhos é uma forma comum de violência física, que em geral começa com a palmadinha…
Espero que tenha gostado, deixe ficar o seu comentário se tiver vontade… aqui ficam algumas frases para análise e reflexão.
“Não deverá gerar filhos quem não quer dar-se ao trabalho de criá-los e educá-los.” Platão
“Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira, do que em um ano de conversação” Platão
“Nós poderíamos ser muito melhores, se não quiséssemos ser tão bons” Sigmund Freud
"O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida." (Albert Einstein)